O que chamamos de ano novo é, na prática, a esperança de tempos melhores nos fazer escrever nestas novas páginas, nossas próprias oportunidades.
É a chance do início de tomadas de novas atitudes, de recomeço para alguns e divisor de águas para outros. Mas principalmente, a nova chance para si mesmo.
A chance de poder fazer diferente. De descobrir quantos eus felizes podem haver dentro de si. De outras formas. Com outros sabores e amores.
Temos a chance de nos amar mais que neste ano. De amar mais o outro. De mais vida para as nossas n vidas!
Chance de viver com conteúdo da palavra bem empregada. Chance de termos mais coragem!
Chance de tomarmos posse do nosso próprio poder de fazer o bom acontecer.
Desejo muito mas muito mesmo e em prece, que nesse calendário haja mais fome de coisas boas, mais justiça, mais autenticidade, mais caridade, mais desejo por saúde, mais amor, mais fé.
E muito TESÃO também! (não pode faltar...!)
=-)
Feliz novo ano para nós!!!!!!
Axé
sábado, 31 de dezembro de 2011
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Pontual
Só sei ser isso que sou.
Sem meias mentiras ou verdades.
Não busco metades.
A dor não cessou, mas cansou.
Descansa meu peito já rouco.
Não rosna, não cala, nem grita
Nem se debruça sobre o pouco.
Achei que não mais veria
Olhos que agora brilham corados
Como os que te dei um dia.
Não era o que você tanto queria?
Meus pés ensaiam novos passos
Mas em que direção eu iria?
Não era o que você tanto queria?
Eu fechar minha ferida tardia?
Quando já não se sabe o que pensar
Se levanta e se deixa levar
Minha lua ainda é sua
Mas eu sou meu próprio mar.
E eu enxergo além do que vejo.
E eu vejo sempre mais.
Quero sempre mais.
O tempo é curto demais.
E a vida não espera,
como eu,
Não te espera.
Sem meias mentiras ou verdades.
Não busco metades.
A dor não cessou, mas cansou.
Descansa meu peito já rouco.
Não rosna, não cala, nem grita
Nem se debruça sobre o pouco.
Achei que não mais veria
Olhos que agora brilham corados
Como os que te dei um dia.
Não era o que você tanto queria?
Meus pés ensaiam novos passos
Mas em que direção eu iria?
Não era o que você tanto queria?
Eu fechar minha ferida tardia?
Quando já não se sabe o que pensar
Se levanta e se deixa levar
Minha lua ainda é sua
Mas eu sou meu próprio mar.
E eu enxergo além do que vejo.
E eu vejo sempre mais.
Quero sempre mais.
O tempo é curto demais.
E a vida não espera,
como eu,
Não te espera.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Saudade
Saudade
É nada, absolutamente nada saciar.
É regurgitar um coito interrompido sem gozo.
É sonhar o passeio a quatro pés quando há só dois.
É querer o amanhã, hoje.
É ficar de mal com o tempo.
É o grito mudo no peito.
É espremer até a ultima gota de pensamento
E ainda assim se surpreender.
É olhar para dentro e não ver a própria companhia.
É ansiar por ela, por ser a única.
É não poder acenar nem de longe.
É insistir num novo um ciclo sem fechar outro.
É achar nossa uma musica nunca tocada.
É contentar-se em declamar apenas ao próprio pé do ouvido.
É trocar tudo por um único instante.
É querer e não querer esquecer ao mesmo tempo.
É preencher com nada,
A lacuna de um nome que nunca existiu.
É nada, absolutamente nada saciar.
É regurgitar um coito interrompido sem gozo.
É sonhar o passeio a quatro pés quando há só dois.
É querer o amanhã, hoje.
É ficar de mal com o tempo.
É o grito mudo no peito.
É espremer até a ultima gota de pensamento
E ainda assim se surpreender.
É olhar para dentro e não ver a própria companhia.
É ansiar por ela, por ser a única.
É não poder acenar nem de longe.
É insistir num novo um ciclo sem fechar outro.
É achar nossa uma musica nunca tocada.
É contentar-se em declamar apenas ao próprio pé do ouvido.
É trocar tudo por um único instante.
É querer e não querer esquecer ao mesmo tempo.
É preencher com nada,
A lacuna de um nome que nunca existiu.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Moinho
Aprendi que algumas intercorrências da nossa vida servem para ver se as pessoas que afirmam amar, de fato aguentam o tranco. O que aconteceu afinal com o amor? Tenho vivido muitas coisas maravilhosas e outras não tão fáceis. Muita coisa boa aconteceu, mas outras muito ruins também. O bom do passar dos anos é que nos traz belos arrependimentos... E através deles hoje cultivamos cautela. Declarar-se e expressar o amor desmedido e imaturo, sempre faz bem a um ego carente. Tanto pra quem manifesta quanto pra quem recebe. Mas será que amamos na tristeza...? Na doença...? Na loucura... Ou será que ao primeiro sinal de tormenta deixamos o outro só ao leme e nos atiramos no mar... Os ventos nos sopram favoráveis, mas quando aprendemos qual rumo tomar. E nossos resgates vêm de dentro, que quase sempre é de onde menos esperamos. Por que leva tanto tempo para aprendermos isso?
Aprendi que expectativa sempre gera algum sofrimento. E eu nunca soube amar na berlinda. Então, entregar-se é correr o risco da frivolidade alheia. Porque, deixar-se gostar, desprender-se, deixar que ele ferva nas veias e eletrize suas sinapses e expanda pelo perispírito, até sentir o arrepio das borboletas bailando gélidas no estômago... sem nada esperar em retribuição, ou no mínimo o mesmo de volta... é hipócrita, masoquista, desumano... é “não-humano”.
Aprendi que quanto maior o resgate de dentro para fora, mais o universo conspira a meu favor. E ele vem me inspirando confiança, traquejo, e principalmente intuição para seguir adiante. Quem quiser me seguir, afine-se. Acompanhe meu ritmo, dance conforme o meu canto, ou pegue uma balsa e me surpreenda no próximo porto. Minhas pegadas deixam rastros fundos e sólidos na minha história. Mas não espero ninguém na outra margem, pois caminho apreciando mais o percurso do que a chegada. Nenhum vento desviará minha barca. Nenhum raio mudará o meu caminho.
Aprendi que expectativa sempre gera algum sofrimento. E eu nunca soube amar na berlinda. Então, entregar-se é correr o risco da frivolidade alheia. Porque, deixar-se gostar, desprender-se, deixar que ele ferva nas veias e eletrize suas sinapses e expanda pelo perispírito, até sentir o arrepio das borboletas bailando gélidas no estômago... sem nada esperar em retribuição, ou no mínimo o mesmo de volta... é hipócrita, masoquista, desumano... é “não-humano”.
Aprendi que quanto maior o resgate de dentro para fora, mais o universo conspira a meu favor. E ele vem me inspirando confiança, traquejo, e principalmente intuição para seguir adiante. Quem quiser me seguir, afine-se. Acompanhe meu ritmo, dance conforme o meu canto, ou pegue uma balsa e me surpreenda no próximo porto. Minhas pegadas deixam rastros fundos e sólidos na minha história. Mas não espero ninguém na outra margem, pois caminho apreciando mais o percurso do que a chegada. Nenhum vento desviará minha barca. Nenhum raio mudará o meu caminho.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Há de brotar
Amo sempre mais do que eu posso.
Mais do que penso sentir ou ser capaz.
Sempre a me transbordar
Nostálgico e melancólico fico a idear
Uma forma, meus versos ornar
Consciência do mais fundo Eu
É saber, de susto, o quão não posso
Dessa essência me desgarrar
Personalidade não é caráter
Mas como é difícil mudar
Quando se encontra a metade de si,
E que seja dentro, bom que seja,
Não se consegue mais admitir
Sua ausência
Não há mais latência
Melhor “também” e assim será,
É tão grandioso, tão visceral
Que chega a doer e soprar,
Como um amigo a nos questionar
Quando não se consegue pensar
Como um só par de sapatos
Em que é o jeito amaciar.
Não. Não há como voltar.
Essa árvore podem ceifar,
Havendo raízes, germinará.
À natureza sempre se paga
Ela se encarrega de irrigar.
Não adianta ensaiar
Pois sou feita de amor
Aqui ou acolá
Ele há de ser meu lugar.
Mais do que penso sentir ou ser capaz.
Sempre a me transbordar
Nostálgico e melancólico fico a idear
Uma forma, meus versos ornar
Consciência do mais fundo Eu
É saber, de susto, o quão não posso
Dessa essência me desgarrar
Personalidade não é caráter
Mas como é difícil mudar
Quando se encontra a metade de si,
E que seja dentro, bom que seja,
Não se consegue mais admitir
Sua ausência
Não há mais latência
Melhor “também” e assim será,
É tão grandioso, tão visceral
Que chega a doer e soprar,
Como um amigo a nos questionar
Quando não se consegue pensar
Como um só par de sapatos
Em que é o jeito amaciar.
Não. Não há como voltar.
Essa árvore podem ceifar,
Havendo raízes, germinará.
À natureza sempre se paga
Ela se encarrega de irrigar.
Não adianta ensaiar
Pois sou feita de amor
Aqui ou acolá
Ele há de ser meu lugar.
Aniversário do meu silêncio
Meu silêncio faz aniversário
Mês a mês vou comemorar
Pra ver mais depressa
Esse tempo passar.
Nesse ano, não vai ter festa
Só uma taça arriscar
A música é minha
O par de lentes
dança ao luar
Já que descalcei
a ferradura de amar
Se nessa meia noite
Eu jerimum não virar
Me leve pelas unhas
Para qualquer lugar
Um dia teu choro
Irá me lavar
E no fim do cantar,
Calejadas pegadas
Já estou vendo ensaiar
Tanto à margem caminhar
na esperança de me encontrar.
Mês a mês vou comemorar
Pra ver mais depressa
Esse tempo passar.
Nesse ano, não vai ter festa
Só uma taça arriscar
A música é minha
O par de lentes
dança ao luar
Já que descalcei
a ferradura de amar
Se nessa meia noite
Eu jerimum não virar
Me leve pelas unhas
Para qualquer lugar
Um dia teu choro
Irá me lavar
E no fim do cantar,
Calejadas pegadas
Já estou vendo ensaiar
Tanto à margem caminhar
na esperança de me encontrar.
Afluentes
Estou passando por uma fase de muitas mudanças em minha vida.
No que diz respeito à tomada de decisões, crivo mais rígido de companhias, ampliar horizontes a novas perspectivas, novas escolhas, novos olhares... ou pelo menos novas possibilidades.
Sinto fome desse reencontro espiritual, intelectual, psíquico e, por que não afetivo, do meu Eu.
Sinto fome de ser partícipe ativo da minha história e da História. De deixar de ser um mero vulto, e tomar posse da minha carne e alma, e então personificar-me naquilo que nasci pra ser.
De fazer jus à todos os dons com que fui agraciada. De ousar. De resgate. Auto-resgate.
Do que eu ainda não fui. Mas estou engatinhando a ser.
No que diz respeito à tomada de decisões, crivo mais rígido de companhias, ampliar horizontes a novas perspectivas, novas escolhas, novos olhares... ou pelo menos novas possibilidades.
Sinto fome desse reencontro espiritual, intelectual, psíquico e, por que não afetivo, do meu Eu.
Sinto fome de ser partícipe ativo da minha história e da História. De deixar de ser um mero vulto, e tomar posse da minha carne e alma, e então personificar-me naquilo que nasci pra ser.
De fazer jus à todos os dons com que fui agraciada. De ousar. De resgate. Auto-resgate.
Do que eu ainda não fui. Mas estou engatinhando a ser.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Desfibrilador
Para ser o meu primeiro e também o derradeiro
Você ressuscitou meu suspiro de amor
Pleno, puro e pueril.
Desde então pra mim nada mais existiu,
Além da ternura para a qual o meu peito se abriu.
Depois de séculos de espera, de um dia para outro,
Como tudo se esvaiu?
Não quero o meu amor na concha das tuas mãos,
Mas aquele que eu vi e fez vibrar teu coração.
Feliz ficará àquele quem reverberar.
Quem não quer ser meu amigo
Teu amigo nunca foi, não se iluda não será.
Se meus passos em direção contrária me levam a ti,
Como esquecer?
No recorrente dejá-vu dos teus traços nos meus,
Como não doer?
Se for piada do destino quero também rir poder
Pela minha preferência a última hei de ser.
Você ressuscitou meu suspiro de amor
Pleno, puro e pueril.
Desde então pra mim nada mais existiu,
Além da ternura para a qual o meu peito se abriu.
Depois de séculos de espera, de um dia para outro,
Como tudo se esvaiu?
Não quero o meu amor na concha das tuas mãos,
Mas aquele que eu vi e fez vibrar teu coração.
Feliz ficará àquele quem reverberar.
Quem não quer ser meu amigo
Teu amigo nunca foi, não se iluda não será.
Se meus passos em direção contrária me levam a ti,
Como esquecer?
No recorrente dejá-vu dos teus traços nos meus,
Como não doer?
Se for piada do destino quero também rir poder
Pela minha preferência a última hei de ser.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Silêncio. Por Victor Hannover
Victor Hannover: Silêncio: Descobri palavras bem montadas tipo quebra-cabeça, elaboradas juntas, formam algo que toca o peito e foi dess...
sábado, 15 de outubro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Escolhas e perdas
É uma pena que as todas as escolhas gerem perdas.
Às vezes a perda da nossa dignidade
Às vezes perda de dinheiro
Essa, pouco importa, vai e vem mesmo.
Às vezes de um grande amor
Que, se dermos sorte
Às vezes reencontramos, mas
Geralmente, já raquíticos e broxas.
Nessa, o arrependimento
Nos amarga a boca o resto da vida.
Às vezes nos perdemos de nós mesmos.
A perda da nossa identidade
Talvez seja a única pior que a de um amor.
Obrigada meu Deus,
Com sua ajuda
Escolhi resgatar a minha.
Às vezes a perda da nossa dignidade
Às vezes perda de dinheiro
Essa, pouco importa, vai e vem mesmo.
Às vezes de um grande amor
Que, se dermos sorte
Às vezes reencontramos, mas
Geralmente, já raquíticos e broxas.
Nessa, o arrependimento
Nos amarga a boca o resto da vida.
Às vezes nos perdemos de nós mesmos.
A perda da nossa identidade
Talvez seja a única pior que a de um amor.
Obrigada meu Deus,
Com sua ajuda
Escolhi resgatar a minha.
O silêncio de três palavras
Olho, fixa e absortamente,
pras veias tensas dos meus pés azuis.
Por que não consigo tirar os olhos de lá?
Por que não consigo subir esse olhar?
Quanto tempo será que leva pra sarar uma vida?
O mundo não é feito apenas de intenções, mas de ações.
Meu amor é precioso demais para ser negligenciado.
Preciso perdoá-lo por ser altruísta.
E perdoar-me por ser egoísta.
No amor, as coisas são assim mesmo.
Contraditórias por natureza.
Preciso tirá-lo de mim a qualquer custo.
Mas como, se fui marcada com brasa,
E a ferida ainda trago aberta ...Até quando?
O silêncio de três palavras
não me adoça mais os lábios.
Calou-se, amargo. (para sempre?)
Torço para que não seja.
Rezo pra que não seja tarde.
pras veias tensas dos meus pés azuis.
Por que não consigo tirar os olhos de lá?
Por que não consigo subir esse olhar?
Quanto tempo será que leva pra sarar uma vida?
O mundo não é feito apenas de intenções, mas de ações.
Meu amor é precioso demais para ser negligenciado.
Preciso perdoá-lo por ser altruísta.
E perdoar-me por ser egoísta.
No amor, as coisas são assim mesmo.
Contraditórias por natureza.
Preciso tirá-lo de mim a qualquer custo.
Mas como, se fui marcada com brasa,
E a ferida ainda trago aberta ...Até quando?
O silêncio de três palavras
não me adoça mais os lábios.
Calou-se, amargo. (para sempre?)
Torço para que não seja.
Rezo pra que não seja tarde.
Por hora...
Não se tem mais nada a fazer. Nem mais nada a esperar. A não ser o tempo do dia de hoje acabar, todo dia. “Melhor que seja logo” Maldita seja esta frase! Nunca me arrependi tanto de ter dito tais palavras, dizia eu a mim mesma, como um adicto lembrando o último trago e suplicando por mais uma pontinha. Na memória, Haja o que Houver toca insistente e inconveniente, a disputar espaço com uma puta dor de cabeça. Aquelas que sucedem um longo choro convulso. Quem me dera a dor fosse apenas essa. Preferiria senti-la na enésima potência a suportar sozinha, esses pontos mal costurados e violentamente rasgados no meu coração. Tudo a sangue frio, bem ao meu estilo. Quem mandou ser forte assim...
E as músicas, e os poemas, as declarações de amor na ponte, as cópulas homéricas, as mensagens apaixonadas envoltas pela fibra ótica, as cópulas homéricas, as emoções experimentadas a lágrimas, as cópulas homéricas... E os planos...? ...tão bem arquitetados pelo sonho... Ah, aquelas cópulas homéricas...
Não é possível que não haja um querer sincero nisso tudo. Não é possível que não haja um SENTIDO nisso tudo. Quando não há mais nada a se fazer, confia-se no tempo, nosso último apelo e refúgio. Ele nos dá o silêncio que precisamos, mesmo quando nem sabemos ainda quão precisamos. É sempre bem vindo. E ainda: ambos são amigos que jamais nos traem.
“Vamos tentar outra vez”. A sensação que tenho é que essas palavras não vão sair nunca de dentro de mim. Me senti um lixo, uma intrusa numa tribo prestes a ser sacrificada. Me sinto um Isaac, no alto do monte Moriá. Eu e essa mania de alteridade...
Meus ouvidos poderiam ter sido poupados. Eu inteira poderia ter sido poupada. Mas eu não quis, pois essa não seria eu. É o risco que corre todos os intensos como eu. Essa é a paga dos amantes desavisados, que só escutam o coração. Será que foi tão intenso que gastamos todo o amor de uma só vez? Ou terá sido apenas o prelúdio de uma história ainda não escrita, pois ainda não era a hora... ... Só o tempo dirá.
Nesse ínterim, a solidão me faz companhia. O caminho se faz caminhando. E não vou mentir, penso sim em deixar visíveis rastros, para que possa me encontrar. Reencontrar. Por hora, sigo fazendo o meu destino, enquanto busco ainda um sentido pra isso tudo.
E as músicas, e os poemas, as declarações de amor na ponte, as cópulas homéricas, as mensagens apaixonadas envoltas pela fibra ótica, as cópulas homéricas, as emoções experimentadas a lágrimas, as cópulas homéricas... E os planos...? ...tão bem arquitetados pelo sonho... Ah, aquelas cópulas homéricas...
Não é possível que não haja um querer sincero nisso tudo. Não é possível que não haja um SENTIDO nisso tudo. Quando não há mais nada a se fazer, confia-se no tempo, nosso último apelo e refúgio. Ele nos dá o silêncio que precisamos, mesmo quando nem sabemos ainda quão precisamos. É sempre bem vindo. E ainda: ambos são amigos que jamais nos traem.
“Vamos tentar outra vez”. A sensação que tenho é que essas palavras não vão sair nunca de dentro de mim. Me senti um lixo, uma intrusa numa tribo prestes a ser sacrificada. Me sinto um Isaac, no alto do monte Moriá. Eu e essa mania de alteridade...
Meus ouvidos poderiam ter sido poupados. Eu inteira poderia ter sido poupada. Mas eu não quis, pois essa não seria eu. É o risco que corre todos os intensos como eu. Essa é a paga dos amantes desavisados, que só escutam o coração. Será que foi tão intenso que gastamos todo o amor de uma só vez? Ou terá sido apenas o prelúdio de uma história ainda não escrita, pois ainda não era a hora... ... Só o tempo dirá.
Nesse ínterim, a solidão me faz companhia. O caminho se faz caminhando. E não vou mentir, penso sim em deixar visíveis rastros, para que possa me encontrar. Reencontrar. Por hora, sigo fazendo o meu destino, enquanto busco ainda um sentido pra isso tudo.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
É demais.
De tanto e não mais me permitir, as lágrimas caem agora, mas para dentro. Senão, pelas minhas trêmulas mãos expelidas. Como um mal espírito a ser exorcizado. Com odor fétido de pele queimada após uma grave descarga elétrica. Pergunto-me: Cadê? Cadê o cheiro das manhãs, quando eu mais preciso dele? Nada responde. ... minhas mãos tremem demais para procurar qualquer coisa dentro de mim. Meus olhos secos são o sinal do que o coração está repleto. ...Por favor, por hoje, me deixem só com o meu silêncio! Não ouvirei música, pois todas as notas soarão destoantes, e me rasgarão o tímpano já ulcerado por hoje. Meu estado inerte mal me deixa tocar nessas desorganizadas teclas. Mais umas cinco ou seis linhas e eu juro que volto a respirar. Hoje, não há ninguém no Três. A não ser eu mesma a resgatar fragmentos meus espalhados por um desafinado sopro dentro do meu sonho. Talvez, quando eu acordar, não haja três. É demais.
domingo, 25 de setembro de 2011
Anteverso
Toca-me no pensamento teu verso. Conduzido pela cadência de quentes fluidos, quando dentro, ...pelo teu hálito quando está perto, ...mesmo de um vento frio quando longe. A distância não é mais geográfica.
No jardim do meu peito jazem pegadas de sombras que tateiam trôpegas pelo labirinto das minhas dúvidas e são guiadas apenas pelo cheiro doce da minha esperança muda.
Nas entrelinhas do paladar, a menor vogal sussurrada pode ferir a beleza desses séculos de segundo em que o meu silencio canta ao teu.
Meus olhos marejados e confessos me-ditam se é tempo de aportar. Amar, beirando a certeza do talvez me arrisca a alma mais que a pele. Preciso me apoderar da morada que há em mim para poder te receber. Contudo, se prometer não se atrasar demais, asseguro-te esperar por toda a minha vida.
No jardim do meu peito jazem pegadas de sombras que tateiam trôpegas pelo labirinto das minhas dúvidas e são guiadas apenas pelo cheiro doce da minha esperança muda.
Nas entrelinhas do paladar, a menor vogal sussurrada pode ferir a beleza desses séculos de segundo em que o meu silencio canta ao teu.
Meus olhos marejados e confessos me-ditam se é tempo de aportar. Amar, beirando a certeza do talvez me arrisca a alma mais que a pele. Preciso me apoderar da morada que há em mim para poder te receber. Contudo, se prometer não se atrasar demais, asseguro-te esperar por toda a minha vida.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
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